terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Fim do orelhão: o adeus definitivo a um ícone da comunicação no Brasil

Foto por Reprodução/Internet
Durante décadas, o orelhão foi um dos principais símbolos da comunicação no Brasil. Presente em ruas, praças, rodoviárias e hospitais, o telefone público garantiu acesso à comunicação para milhões de brasileiros, especialmente em um período em que ter telefone em casa era privilégio de poucos. Hoje, porém, ele faz parte do passado.

Os orelhões começaram a se popularizar no país a partir dos anos 1970, tornando-se essenciais para ligações locais, interurbanas e até emergenciais. Com o uso de fichas e, mais tarde, cartões telefônicos, o equipamento cumpriu um papel social importante, conectando pessoas em tempos em que a tecnologia era limitada.

No entanto, a chegada e a rápida expansão dos telefones celulares, somadas à internet móvel e aos aplicativos de mensagens instantâneas, mudaram completamente os hábitos da população. Fazer uma ligação deixou de ser uma necessidade exclusiva dos telefones públicos.

Com o passar dos anos, o número de chamadas realizadas em orelhões despencou. Muitos aparelhos passaram a ficar inutilizados, quebrados ou vandalizados, gerando custos elevados de manutenção para as concessionárias de telefonia.

Diante desse cenário, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a retirada progressiva dos telefones públicos, encerrando a obrigatoriedade de manutenção desses equipamentos. Assim, o que antes era indispensável tornou-se oficialmente obsoleto.

Apesar do fim prático, o orelhão permanece vivo na memória afetiva dos brasileiros. Ele marcou encontros, despedidas, chamadas importantes e até romances. Em algumas cidades, os equipamentos ganharam novos usos, sendo transformados em peças de arte urbana, bibliotecas comunitárias ou itens de museu.

O desaparecimento dos orelhões simboliza mais do que o avanço tecnológico: representa a transformação da sociedade, que hoje vive conectada em tempo integral. A comunicação ficou mais rápida, acessível e móvel, mas também deixou para trás objetos que fizeram parte da história cotidiana do país.

O fim do orelhão encerra um capítulo importante da história das telecomunicações no Brasil. Embora não faça mais falta no dia a dia, ele segue como um símbolo de uma época em que a comunicação exigia planejamento, paciência e, claro, algumas fichas no bolso.


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